OBRAS & CONSTRUÇÃO XXI: Inundações expõem fragilidade climática em Lisboa...
A passagem da depressão Leonardo, no início de Fevereiro, voltou a colocar a Grande Lisboa sob forte pressão, provocando inundações, deslizamentos de terras, estradas cortadas e evacuações preventivas. Para a associação ambientalista Quercus, os episódios recentes são o reflexo de uma capital cada vez mais vulnerável à crise climática e evidenciam a urgência de soluções estruturais.
Uma semana após a tempestade Kristin, a chuva intensa associada à depressão Leonardo originou mais de uma centena de ocorrências registadas pela Protecção Civil, maioritariamente relacionadas com cheias. Embora com impacto global inferior ao do fenómeno anterior, a nova intempérie agravou fragilidades já existentes em infra-estruturas e comunidades afectadas por eventos recentes.
Em Santo Amaro de Oeiras, a Ribeira da Laje transbordou, inundando áreas junto ao Jardim Municipal e à estação ferroviária. Viaturas estacionadas ficaram submersas e várias zonas tiveram de ser cortadas ao trânsito, com intervenção da PSP e dos bombeiros. Situações semelhantes foram registadas em Paço de Arcos e na zona ribeirinha do Tejo, incluindo Alhandra e Vila Franca de Xira, onde a água invadiu ruas e avenidas. Na cidade de Lisboa, várias artérias críticas sofreram inundações, provocando constrangimentos na circulação e riscos para a segurança pública.
Na região Oeste, as condições meteorológicas extremas provocaram o desalojamento de 12 pessoas em Torres Vedras e Arruda dos Vinhos. Outras 22 foram retiradas preventivamente das suas habitações devido ao risco de cheias e deslizamentos, tendo sido acolhidas em equipamentos municipais ou em casas de familiares.
A Quercus – Núcleo Regional de Lisboa alerta que estes episódios demonstram um problema estrutural antigo: a incapacidade da cidade para absorver e escoar águas pluviais. Segundo a associação, a situação tem sido agravada pelas alterações climáticas e pela crescente impermeabilização dos solos urbanos.
Perante este cenário, a organização ambientalista defende um conjunto de medidas urgentes, incluindo a aceleração do plano de desimpermeabilização da cidade, substituindo extensas áreas de asfalto por solos permeáveis e criando jardins de chuva e parques com funções de retenção natural de água. A associação propõe ainda a revisão do Plano Director Municipal e dos projectos de obras públicas, de forma a tornar obrigatória a inclusão de sistemas de retenção e infiltração de águas pluviais em novos empreendimentos.
Entre as propostas está também o reforço do investimento em infra-estruturas verdes e azuis nas zonas consideradas críticas e a criação de um fundo municipal de emergência climática, destinado exclusivamente a acções de adaptação e resiliência, financiado parcialmente por taxas sobre a impermeabilização excessiva do solo.
Para a Quercus, os fenómenos climáticos extremos que têm marcado o início de 2026 confirmam que a crise climática já é uma realidade. A associação lembra que a ciência tem alertado há décadas para os impactos da queima de combustíveis fósseis, sublinhando que a acumulação de emissões contribui para o aquecimento dos oceanos e para a alteração dos padrões climáticos.
A organização considera que Lisboa ainda tem oportunidade de adoptar políticas capazes de reforçar a resiliência urbana, mas alerta que a transformação necessária exige acção política imediata e investimentos estruturais, alertando que futuras tempestades poderão ter consequências ainda mais graves.
Facebook / Grupo de Whatsapp / Instagram / Whatsapp
Contactos: +351 913 335 560 / obraseconstrucaoxxi@gmail.com / @nuno_miguelgarrido
#obras #construcao #construcaocivil #tendencias #tendenciasconstrução #habitacao #casaschavenamao #dicas #remodelaracasa #reformaracasa #inundacoes #mautempo #danos #prejuizos #manutencao #reparacoesdomesticas #intemperies #tempestade #ingrid #remodelação #licenças #licençasparaconstrução #construçãonova #reabilitaçãohabitacional #producaonaconstrucao #materiais #reformadecasas #reabilitacaourbana #obrasemcasa #aiccopn #portugal #construirereabilitar #obraseconstrucao #obraseconstrucaoxxi

Comentários
Enviar um comentário