OBRAS & CONSTRUÇÃO XXI: Quanto custa manter uma casa? Guia realista para evitar surpresas...
Comprar ou arrendar casa para morar sozinho é uma das decisões mais importantes que pode tomar. No entanto, apesar das coisas boas, como a liberdade e privacidade, também há aspectos menos positivos com os quais tem de saber lidar.
Falamos especificamente das despesas mensais (e também anuais) de manter uma casa. Por esse motivo, antes de dar esse importante passo, convém saber exactamente com o que pode esperar, para não ser apanhado/a de surpresa.
Com este nosso guia vai conseguir ter uma melhor noção dos gastos que terá daqui para a frente.
Apure o rendimento disponível
O primeiro passo é saber com quanto dinheiro poderá contar mensalmente para fazer face aos gastos. No caso de ter apenas uma fonte de rendimento, por exemplo, o seu trabalho, é mais fácil. Se tiver mais do que uma fonte, como por exemplo, receberes rendas de uma outra sua casa que esteja arrendada, ou de um alojamento local, retornos de investimentos, juros de depósitos a prazo ou apoios sociais, então terá de somar esses rendimentos, subtraindo os respectivos impostos, e assim chegará ao valor total que terá disponível mensalmente.
Apurar o seu rendimento disponível é essencial para que comece a ter uma noção daquilo que pode e não pode gastar e, assim, não entrar em elevado esforço financeiro, gastando mais do que aquilo que ganha. O equilíbrio é fundamental para manter um saldo positivo.
Despesas de uma casa
Para manter uma casa, seja ela comprada ou arrendada, há que fazer face a vários custos mensais. Alguns deles são fixos, com os quais terá de contar todos os meses, outros igualmente fixos mas que são pagos de ano a ano, e ainda outros custos de valores variáveis.
Despesas fixas
- Prestação de crédito habitação ou renda: esta será, muito provavelmente, a sua maior despesa mensal. Seja uma prestação a pagar ao banco ou uma renda ao senhorio, a habitação leva-nos uma grande percentagem dos nossos rendimentos.
- IMI: esta despesa, que pode ser paga uma vez por ano ou em prestações, corresponde apenas a quem tem casa própria, não aos arrendatários. O valor a pagar deste imposto depende do Valor Patrimonial Tributário (VPT) e da taxa definida pelo município onde se encontra o imóvel.
- Condomínio: este é também um encargo apenas para os proprietários, não para os arrendatários (a menos que fique estipulado no contrato), e apenas para quem mora em prédio ou condomínio fechado. O valor varia conforme as características do edifício e destina-se à manutenção das zonas comuns.
- Seguros obrigatórios: em caso de crédito habitação, é obrigatório ter seguro de vida e seguro multirriscos habitação. Estes podem ser pagos todos os meses, ou trimestralmente, semestralmente ou, até, anualmente.
- Energia, água e telecomunicações: estas despesas variam todos os meses consoante o consumo. Por norma, a conta das telecomunicações até costuma ser fixa, mas pode haver algumas oscilações em caso de consumos extra.
- Pequenas reparações e manutenção de exteriores: de vez em quando, lá surge alguma coisa em casa que precisa ser reparada, como uma parede que necessita de nova pintura, um cano entupido, um electrodoméstico que se avariou, etc. Além disso, quem tem espaços exteriores como jardim tem também de contar com os custos de corte de relva, limpeza da piscina, entre outros cuidados.
- Obras de conservação: apesar de não ser algo tão recorrente, deve também sempre contar com o facto de, um dia, precisar de investir em obras de conservação e renovação. Por esse motivo, deve sempre ter algum dinheiro de parte para essas ocasiões.
Agora que sabe os gastos com que terá de contar, vamos dar-lhe algumas dicas para conseguir poupar naquilo que é possível.
Poupar na energia (eletricidade e gás)
- Verifique a potência de electricidade contratada e, se possível, reduz;
- Compare as tarifas dos diferentes comercializadores;
- Evite deixar aparelhos em ‘standby’;
- Baixe a temperatura do termoacumulador;
- Use programas ECO nas máquinas de lavar e coloca a lavar apenas com carga completa;
- Opte por luzes LED e, sempre que possível, pela luz natural;
- Invista em electrodomésticos eficientes;
- Reduza o tempo dos banhos;
- Use redutores de caudal no chuveiro e torneiras;
- Repare fugas de imediato;
- Regue as plantas de manhã cedo ou só à noite;
- Verifique se há consumos estranhos no contador.
- Faça comparações de preços regularmente;
- Negoceie sempre antes de terminar a fidelização;
- Evite pagar por serviços que não utiliza;
- Se compensar, coloque tudo no mesmo pacote;
- Se possível, opte por um serviço de internet com velocidade mais reduzida;
- Sempre que estiveres em casa usa o Wi-Fi para poupares dados móveis;
- Reveja os seus ‘plafonds’ de minutos e dados;
- Aproveite campanhas para novos clientes.
Além dos truques de poupança, há outros conselhos que não podemos deixar de lhe dar, sobretudo se é novo/a nesta aventura de ter casa e morar sozinho/a:
- Guarde sempre as facturas e os recibos de qualquer trabalho de manutenção. Isso pode ajudar-lhe nas deduções fiscais (nos casos em que são aplicáveis);
- Marque as datas dos pagamentos de tudo que não seja por débito directo (como impostos, por exemplo), para não deixar passar os prazos e evitar coimas;
- Aprenda o básico de manutenção doméstica para não contratar serviços desnecessários;
- Verifique regularmente a validade de seguros e outros documentos;
- Não ignore sinais de humidade, fugas e outros problemas;
- Confirme sempre as leituras da energia e água;
- Confirme regularmente os valores cobrados por débito directo.
Por último, mas indispensável, sugerimos-lhe que tenha sempre uma reserva de emergência para gastos imprevistos, como obras de grande dimensão (em casa ou do condomínio), avarias de eletrodomésticos ou equipamentos tecnológicos, entre outras coisas.
Todos os meses coloque algum valor de parte para essa reserva. Por muito pouco que seja, ao fim de alguns meses ou anos fará uma grande diferença e terá aí uma “almofada” financeira para o/a ajudar nessas ocasiões inesperadas.
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