OBRAS & CONSTRUÇÃO XXI: Obras em casa - como acabar com o salitre nas paredes



O salitre nas paredes é um dos problemas mais comuns (e persistentes) nas casas. As manchas brancas junto ao rodapé ou nos cantos não são apenas uma questão estética: indicam humidade ascendente e podem danificar rebocos, pinturas e até afectar a qualidade do ar.

Neste artigo explicamos o que é o salitre, porque surge e como identificá-lo correctamente. Descubra ainda as soluções disponíveis, desde intervenções simples até obras mais estruturais para resolver o problema de vez.

O que é, afinal, o salitre?



Apesar do nome, o salitre não é um produto químico aplicado nem um fungo. Trata-se de um fenómeno natural provocado pela presença de sais minerais dissolvidos na água que sobe pelas paredes a partir do solo. Quando essa humidade evapora à superfície, os sais cristalizam e formam as conhecidas manchas brancas ou acinzentadas.

Este processo chama-se humidade ascendente e ocorre sobretudo em edifícios antigos, construções sem isolamento adequado na base das paredes ou casas situadas em terrenos húmidos.

O problema não é apenas visual. Com o tempo, o salitre degrada rebocos, faz estalar a pintura, solta revestimentos e cria um ambiente propício ao aparecimento de bolores e maus odores.

Salitre e saúde

Viver com paredes húmidas não é apenas uma questão estética. Ambientes com humidade crónica estão associados a:

Problemas respiratórios;

Agravamento de alergias;

Desenvolvimento de fungos invisíveis;

*Sensação constante de frio e desconforto.

Porque aparece o salitre?

O salitre é quase sempre consequência de um problema estrutural ligado à humidade. Em casas antigas, construídas antes da generalização das membranas impermeabilizantes, o fenómeno é particularmente frequente. 

Mas também pode surgir em edifícios mais recentes se houver falhas na execução ou alterações ao nível do solo envolvente. As causas mais comuns são:

Ausência de barreira impermeável entre o solo e as paredes;

Terrenos húmidos ou mal drenados;

Fundações antigas, sem isolamento moderno;

Infiltrações prolongadas vindas do exterior;

Ventilação insuficiente em divisões térreas.

Como identificar correctamente o problema?



Nem toda a mancha é salitre. Antes de intervir, convém perceber exactamente com que tipo de humidade estás a lidar. O salitre apresenta normalmente:

Manchas esbranquiçadas ou acinzentadas;

Textura cristalina ou em pó;

Localização junto ao chão, rodapés e paredes exteriores;

Reaparecimento frequente após pintura.

Se as manchas forem escuras, esverdeadas ou com cheiro intenso, poderá tratar-se de bolor ou condensação – problemas diferentes, com soluções distintas. Quando há dúvida, vale a pena pedir uma avaliação técnica a um especialista em patologias da construção.

Soluções rápidas: o que pode fazer de imediato

Há intervenções simples que ajudam a controlar temporariamente o problema, mas importa ser claro: não resolvem a causa. Estes métodos melhoram o aspecto durante algum tempo, mas o salitre tende a reaparecer, porque a humidade continua a subir pela parede.

Entre as soluções paliativas mais comuns estão:

Limpeza com escova e água;

Aplicação de produtos anti-salitre;

Pinturas especiais anti-humidade.

A solução definitiva: tratar a humidade ascendente



Para acabar com o salitre de forma duradoura, é essencial interromper a subida da humidade. Existem hoje várias técnicas eficazes, escolhidas em função do tipo de parede, idade do edifício e orçamento disponível.

Injecção de resinas hidrófugas

É a solução mais utilizada em reabilitação. Consiste em perfurar a base das paredes e injectar uma resina impermeabilizante que cria uma barreira química, impedindo a subida da água.

Vantagens:

Obra pouco invasiva;

Aplicável em edifícios existentes;

Boa relação custo-benefício.

Limitações:

Exige mão de obra especializada;

Pode demorar semanas a mostrar resultados completos;

Criação de barreira física impermeável



Método mais radical, usado sobretudo em reabilitação profunda. Implica cortar a parede na base e inserir uma membrana impermeável.

Vantagens:

Solução definitiva;

Alta durabilidade.

Desvantagens:

Obra complexa;

Elevado custo;

Risco estrutural se mal executada.

Drenagem perimetral exterior

Em casas térreas ou moradias, pode ser fundamental melhorar a drenagem do solo junto às paredes exteriores. Esta solução reduz a pressão de água junto às fundações e complementa outras técnicas.

Inclui:

Valas drenantes;

Tubos perfurados;

Camadas de brita e geotêxtil;

Remover rebocos e reconstruir correctamente



Depois de interromper a humidade, é indispensável tratar a parede afectada. Usar tintas plásticas convencionais é um erro frequente: selam a parede, impedem a evaporação e agravam o problema. O processo típico inclui:

Remover todo o reboco contaminado;

Deixar a parede secar durante várias semanas;

Aplicar reboco macroporoso ou desumidificante;

Usar primários específicos anti-sais;

Pintar com tintas minerais ou permeáveis.

Ventilação: um aliado muitas vezes esquecido

Embora não seja a causa directa do salitre, uma boa ventilação ajuda a acelerar a secagem das paredes e a prevenir bolores associados. Vale a pena considerar:

Grelhas de ventilação em paredes térreas;

Ventilação cruzada natural;

Sistemas de ventilação mecânica em casos graves.

Quanto custa resolver um problema de salitre?



Os custos variam muito consoante a solução escolhida e a dimensão da intervenção. Apesar do investimento inicial, resolver o problema de raiz evita custos muito maiores no futuro.  Eis valores de referência:

Tratamento superficial e pintura: 100€ a 300€ (temporário);

Injecção de resinas: 60€ a 120€ por metro linear;

Remoção e novo reboco técnico: 30€ a 60€ por m²;

Drenagem perimetral exterior: 2.000€ a 8.000€;

Intervenção estrutural profunda: a partir de 5.000€;

Prevenir é sempre melhor do que remediar

Se está a construir ou a fazer obras de fundo, há medidas essenciais para evitar futuros problemas:

Impermeabilizar correctamente as fundações;

Criar barreiras capilares eficazes;

Garantir boa drenagem do terreno;

Usar materiais permeáveis à difusão de vapor;

Evitar revestimentos totalmente impermeáveis nas paredes térreas.

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